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Titulo de Cidadão Cratense: Pois Que Sim,o Portuga Joaquim se torna Cá Pra Nós um Cratense - Wilson Bernardo

Posso dizer que meu primeiro dia como cidadão cratense foi o dia 12 de Julho de 1991.Não foi realmente o meu primeiro dia aqui, nem a primeira vez,mas foi neste dia que assumi a direção da pizzaria Primavera,tal como havia feito 24 anos antes,ao deixar Portugal rumo ao Brasil.Partia novamente em busca de uma nova vida,novas oportunidades e novos caminhos.

E estes vinte anos que se passaram podem ser resumidos em duas palavras:Trabalho e família,difícil no meu caso separar as duas coisas,já que a rotina do meu trabalho por vezes longa e desgastante,fez com que minha família fizesse do calçadão uma verdadeira extensão da nossa casa.Foi ali que vi meus filhos crescerem,onde tivemos muitas alegrias,algumas tristezas,altos e baixos como todos nós.

E foi ali também que fiz amigos que tenho hoje,amigos com os quais não estudei junto,com os quais não cresci junto,mas que pude conquistar ao longo desses anos em virtude do meu trabalho,o que é impossivel nomear e agradecer um por um.Aos meus funcionários parceiros da luta diária,aos amigos e clientes,minha família de cada dia e á minha família, esposa,meus filhos,nora e neta...É um prazer e uma honra dividir esta alegria com todos vocês.
Muito Obrigado.
Fonte:www.blogdocrato.blogspot.com

Primavera do Crato

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododentros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvi­dos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.


Texto do livro: "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998.